Um Mestre observando o dia com a luz do Eu Sou

O Mestre se sentou na cafeteria. Era seu escritório. Ele estava lá há mais ou menos duas horas e meia trabalhando com afinco. Dando duro tomando seu cappuccino, comendo três croissants, hoje, observando as pessoas. Ele decidiu que, neste dia, ele realmente não falaria com ninguém. Noutros dias, ele falava. E, em alguns, as pessoas se dirigiam a ele. Mas, neste dia, ele realmente não queria falar com ninguém.

Um Mestre se acostuma a estar na melhor companhia de si mesmo, na verdade brincando, se comunicando e atuando com suas próprias facetas. E ele havia se divertido neste dia, e foi caloroso e simpático com o jovem que servia o café. Deu a ele uma boa gorjeta. A gorjeta, de fato, foi maior do que a conta. Mas, depois de duas horas, ele sabia que era hora de partir. O dia tinha sido difícil, sentado lá na cafeteria, fazendo sua luz brilhar.

Ele se levantou e saiu. Era um daqueles dias de outono realmente bonitos. O outono, tão lindo... O ar ainda era relativamente quente, mas vocês sabem como são esses dias de outono, em que já se sente o inverno se aproximando, como um leve assobio rodeando o ar morno do outono.

Ele saiu da cafeteria, respirou fundo e realmente não tinha planos para o resto do dia. Mas é sempre assim para o Mestre. Nada de planos, estar apenas no presente. Ele deu alguns passos até a esquina e parou um instante. E ele cessou tudo no tempo naquele momento. Um Mestre pode fazer isso, porque é tudo sua própria energia. Neste caso, nosso Mestre simplesmente cessou tudo, como numa animação suspensa. Tudo parou, e ele olhou ao redor. Ele cessou tudo intencionalmente, porque ele realmente queria observar as coisas. É algo que vocês vão descobrir que vocês podem fazer, que vocês vão querer fazer. Vocês simplesmente observam. E não há qualquer medo... bem, alguns de vocês temem estarem julgando. Não. Observar é apenas estar consciente. Ou seja, na percepção, que é a alma em si.

O Mestre estava consciente de tudo. Agora, nessa espécie de animação suspensa, o tempo parou, e ele observava tudo. Ele viu, quase na frente dele um motorista distraído, enviando nudes pelo celular [risadinha de Adamus] – só pra deixar a história interessante – enquanto dirigia, sem reparar que o sinal ficou vermelho e um ou dois carros haviam parado na sua frente. Observando, o Mestre sabia da iminência de um acidente. Provavelmente, não deixaria feridos graves, mas talvez para um dos carros, pelo menos, seria perda total; e os outros teriam danos significativos. E ainda por cima, quando ele sentiu a energia do transgressor enviando nudes, a pessoa não tinha sequer seguro. Oh, nossa, a vida dele ia ficar difícil. Hum. Vejam, o Mestre não tentou mudar nada, apenas observou o acidente.

O Mestre olhou mais adiante na rua. Não muito longe, estava uma mãe de primeira viagem, empurrando o carrinho de bebê. A mãe tinha um ar de apreensão, mas também mostrava felicidade e alegria por ser mãe. Mas ela estava muito preocupada: “Será que vou ser uma boa mãe?” E: “Será que vou fazer a mesma coisa com minha filha que minha mãe fez comigo?” Essa energia era muito clara, o Mestre podia ver. E, então, no carrinho, a bebezinha chorava, chorava e chorava. Hum. Essa bebezinha de seis meses chorava porque não queria estar aqui. A mãe achava que era cólica, não sei, gases ou o que fosse, mas a neném estava chorando porque não queria estar aqui. Isso acontece com muita frequência. A reencarnação acontece meio espontaneamente, quase nunca como uma escolha consciente. Simplesmente acontece. A nenenzinha estava chorando porque sabia que teria mais 60, 80, 100 anos pela frente neste planeta. Eu também choraria. [Algumas risadas]

O Mestre olhou noutra direção e viu um ciclista com o pneu furado. Vejam, não há muitas coisas neste mundo que demonstrem mais raiva do que um ciclista com o pneu furado. [Mais risadas] Ou seja, esse ciclista estava furioso. Homem de meia idade, todo vestido de elastano. [Risadas]

SART: De sunga!

ADAMUS: E esse homem estava muito zangado porque o pneu tinha furado, e, é claro, estava acusando todo mundo. Alguém devia ter jogado pregos na rua, vidro quebrado ou o que fosse. Ele estava muito zangado, mais zangado do que só pelo pneu furado e pelo fato de que não seria fácil consertá-lo, mas ele estava zangado porque se sentia um idiota, pelo menos assim ele achava: “Aqui estou eu, o Sr. Ciclista, o Sr. Descolado, vestido de elastano, aqui, com um pneu furado!” E ele sabia que as pessoas que passavam em seus carros a gasolina estavam rindo dele. Se estavam ou não, realmente não importava, pois era o que ele pensava. Então, ele ficou furiosíssimo com a coisa toda.

O Mestre olhou noutra direção e ouviu e viu uma senhora – que provavelmente tinha uns 90 anos, mas transmitia jovialidade – tocando violino na esquina. Ela tocava e, à sua frente, estava o estojo aberto do violino, pronto para receber doações. Ela tocava músicas bem doces. E, vejam, normalmente o Mestre, antes de se tornar Mestre, quando era ainda um iniciado, ele se sentia mal, assim: “Ah, essa velhinha tocando na esquina por algumas moedas pra sobreviver, pra se sustentar. Que tristeza!” Mas o Mestre não pensava mais assim agora. Ele, de fato, sentia a linda música que ela estava tocando.

E, então, o Mestre olhou ainda noutra direção, para a praça e viu dois jovens muito apaixonados. Ah, isso o fez sorrir. Eles não deviam ter mais de 20 anos e estavam atracados um com o outro, em público, é claro, profundamente apaixonados, o que trouxe belas lembranças para ele. Aquele amor juvenil, o arroubo sexual, a absoluta loucura de se estar apaixonado por outra pessoa. Ah, ele só podia sorrir, pensando na coisa toda, lembrando-se de como era.

O Mestre ficou ali um instante, nesse estado de animação suspensa, com tudo paralisado ao redor. E o Mestre não precisava nem fazer um esforço consciente para irradiar sua luz, porque ela sempre estava lá.

Vejam, no início, quando o Mestre se tornou Mestre, ele costumava achar que tinha que parar e dizer: “Eu sou uma luz. Eu ilumino potenciais.” Ele percebeu, bem, que esse era um pensamento humano idiota. E não precisava fazer isso. Ele não precisava de uma espécie de botão que liga e desliga a luz; ela estava lá. Tudo que ele tinha que fazer era lembrar: “Eu Sou, Aqui.” Na verdade, ele nem precisava lembrar disso, porque sempre era assim; ele sempre sabia: “Eu Sou, Aqui.”

E, então, ele observou algo – foi mágico, lindo. Ele observou, com essa sabedoria e essa luz do Eu Sou, dele... ele imaginou, nessa espécie de câmera lenta, expandindo e agora cintilando, bem devagar, raios de luz saindo dele naturalmente, facilmente, nessa cena de animação suspensa. Era como o sol irradiando em câmera muito lenta, como se fossem seus primeiros raios matinais saindo. Ele não tinha trabalhado pra isso nem se esforçado. Simplesmente, estava acontecendo. Vejam, vocês têm essa coisa hoje, a animação, com a qual vocês literalmente podem criar esse tipo de coisa, mas estava acontecendo naturalmente. Cintilando, os raios de luz saíam para todas as pessoas desse pequeno cenário.

E ele deixou que eles as iluminassem. Ele não tentou mudá-las. Ele não tentou provocar um resultado diferente. Simplesmente, iluminou seus potenciais. E, então, ele desfez a paralisação da cena, o estado suspenso. Ele desfez isso e tudo voltou ao normal. E ele colocou com um grande sorriso no rosto. Ficou com um grande sorriso.

Vejam, é sem qualquer esforço. É com muita compaixão, sem tentar mudar nada, mas mostrando aos outros como pode ser, o que pode acontecer, quais são os outros potenciais, porque, vejam, os humanos realmente não são bons em ver potenciais. Os Mestres que vieram no passado a este planeta, na verdade, foram aqueles que mostraram aos humanos que existem outros potenciais. É isso que vocês farão. Vocês não vão dizer às pessoas como elas devem viver a vida, não vão fazer com que elas mudem suas mentes. Vejam, Yeshua era... bem, ele era parte de vocês, realmente, mas Yeshua mostrou às pessoas que havia um outro caminho.

Mas, voltando à nossa história, toda a ação, todo o movimento voltou à normalidade e o Mestre ficou lá parado por mais algum tempo. Ele podia, acho que diriam, meio que ver o futuro, ver o efeito que toda aquela luz produziria.

Quando a luz foi para o homem da bicicleta, que xingava e praguejava, sentindo-se constrangido e tudo mais... Mas foi muito importante para ele parar naquele momento, porque, vejam, se o pneu não tivesse furado na presença do Mestre, ele teria seguido andando pela rua mais uns seis quilômetros, até que uma mulher de uns 35 anos, dirigindo drogada e alcoolizada, o teria atingido com o carro, o teria matado na hora. E o que pode ter parecido apenas um maldito pneu furado para o ciclista, que provavelmente passou o resto do dia praguejando, irritado com as pessoas, foi na verdade a luz do Mestre mostrando um caminho diferente, fazendo o pneu furar e alterando todo o tempo pra salvar a vida dele. O Mestre não fez isso. O Mestre só mostrou a ele, de certa forma, através de sua luz, o que a vida dele podia se tornar: uma vida grandiosa que ele jamais teria visto por conta própria. Teria sido totalmente inapropriado o Mestre atravessar a rua, sacudir as mãos sobre o pneu e consertá-lo instantaneamente. É o que algumas pessoas acham que é mágica. Mas mágica é simplesmente estar lá.

E para a bebezinha no carrinho, com a mãe... o choro da neném... A bebê, na verdade, estava chorando muito; não queria estar aqui. Mas o que estava realmente acontecendo o tempo todo, nesse choro quase histérico, era que a bebê estava, de fato, trazendo uma imensa parte de sua divindade. E, com essa respiração, esse choro... quando se respira, se sai da cabeça, e, quando se sai da cabeça, particularmente quando se é jovem, se consegue deixar trazer a energia divina. Na verdade, a bebê não estava chorando pela desgraça de ter outra existência. Ela só queria um pouco mais do seu espírito, um pouco mais da sua divindade. Ela ansiava por isso. E, com a luz do Mestre, a neném percebeu: “Ah, não é que eu não queira estar aqui. O que eu quero é que eu inteira esteja aqui.” Foi isso que a luz fez, a luz do Mestre.

Os namorados na praça, atracados um com o outro... eles terminaram cerca de dois meses depois. É, os jovens fazem isso, mas o que aconteceu aqui é que algo os atingiu – nenhum dos dois falou sobre isso de imediato. Algo os atingiu naquele momento na praça: esse não seria um bom relacionamento. Melhor terminar agora, porque havia muito carma, muita coisa do passado. Não teria sido algo alegre; eles teriam dado continuidade ao carma. Então, eles descobriram uma forma de quebrar isso, pra não terminarem novamente nesse relacionamento ruim. E, sendo assim, resolveram o carma, mesmo seguindo cada um o seu caminho. A presença do Mestre os ajudou a ver que, por mais que achassem que estavam apaixonados naquele momento, esse não seria um bom relacionamento. Foi isso que a luz do Mestre fez. O Mestre não teve que ir até a praça dizer isso pra eles: “Olha, vocês terão um período repleto de carma pela frente. Se ficarem juntos, vocês vão ter uma vida infeliz e vão acabar se detestando. Um pode acabar matando o outro.” O Mestre não precisou dizer isso; foi simplesmente a luz.

E depois teve o acidente de carro – o quase acidente de carro... enviando mensagem, dirigindo, e trombando com outros. Aquilo teria causado muito sofrimento à vida daquela pessoa, naquele momento, se o acidente tivesse ocorrido. Causaria sofrimento na vida das pessoas no carro da frente. Havia idosos no carro e um impacto daqueles teria provocado danos sérios. E tinha um outro carro na frente daquele com algumas pessoas, algumas crianças, que sofreriam danos físicos e talvez danos emocionais. 

E, naquele momento, sob a luz do Mestre, quando tudo estava em animação suspensa, a pessoa ao telefone, enviando mensagens e nudes, de repente, ficou muito consciente de que sua irresponsabilidade estava prestes a mudar sua vida e a vida de outras pessoas. E, naquele momento, a pessoa percebendo isso agora, tudo em câmera lenta, largou o telefone de lado e viu o outro carro se aproximando rapidamente; ou melhor, o seu carro se aproximando rapidamente do outro, e, sabendo que um acidente estava prestes a acontecer e que seria bem grave... não aconteceu, ela pisou no freio. Derrapou muito, fazendo aquela barulheira de freada, mas simplesmente não aconteceu. E, por causa do modo como a coisa não aconteceu, teve um impacto imenso no motorista. Por não ter acontecido. Mesmo depois...

Todo mundo saiu dos carros pra se certificarem de que todo mundo estava bem... E todos disseram: “Não sei como você conseguiu parar o carro a tempo. Deve ser porque você está dirigindo um carro elétrico.” Ou seja lá o que for. Arranjaram desculpas, mas o fato é que a mágica tinha acontecido naquele momento. Aquela pessoa, naquele momento, viu uma luz, um potencial maior. Não teve que haver um acidente. Não teve que provocar anos e mais anos de sofrimento. Aquela pessoa, naquele momento, mudou o curso da própria vida, tornou-se bem mais responsável, parou de ser tão distraída e, na verdade, encontrou sua paixão. Tudo por causa do acidente que nunca aconteceu, mas que provocou tanto pavor nela, naquele momento, que, bem, mudou sua vida.

E, então, por último, a luz, essa luz foi para a senhora tocando na esquina, tocando violino para ganhar esmolas, algumas moedas. O Mestre sabia o tempo todo, mesmo antes de suspender o tempo, ele sabia o tempo todo que havia outro Mestre. Esse não gostava de bancos de praça nem de cafeterias, então escolheu tocar violino. Esse Mestre não precisa de dinheiro nenhum. E o Mestre – fosse jovem ou velho, não importa – esse Mestre, essa mulher, escolheu aparecer como idosa, talvez pobre, pra que pudesse ficar lá, tocando seu violino. Suas notas também eram sua luz. 

Enquanto ela tocava, as pessoas passavam e algumas tentavam ignorá-la, vejam bem, porque era desagradável ver uma senhora tendo que tocar violino pra ganhar algum dinheiro. Outras pessoas entendiam a mágica de sua música. O Mestre sabia o tempo todo que havia outro Mestre. Ele abriu um grande sorriso pra ela, porque ela estava lá trabalhando, fazendo o que tinha que fazer, brilhando sua luz para o mundo. “Talvez tenha sido a luz dela”, pensou ele, “que havia mudado a natureza de cada um desses incidentes. Talvez tenha sido nossa luz junta.” Não importa, porque tudo que importa é que eles viram algo diferente. Eles viram um potencial maior, e agora era com eles.

O Mestre cumprimentou o outro Mestre do outro lado da rua – a mulher tocando o violino... Bem, ela estava sorrindo. Ela estava realmente sorrindo para o Mestre. Ela sabia. Ela sabia quem era ele e lhe deu um grande sorriso. Ele a cumprimentou acenando magistralmente com a cabeça. Os dois tiveram um longo dia, irradiando sua luz, abrindo potenciais para outros.

Esse vai ser o trabalho que vocês farão. Só isso. Vocês querem saber o que acontece em seguida? Vocês querem saber o que vão fazer? É isso. Esse é um dia típico na vida de um Mestre. É assim.

Vocês vão pra casa no fim do dia, sem terem tido que trabalhar pela energia ou sofrer, sem se preocuparem em se ferir ou ferir os outros. Vocês vão rir desses dias. Vocês vão pra casa, e agora está tudo dentro de vocês. Vocês voltam com Vocês. Vocês vão pra casa no fim do dia sabendo que estão fazendo mais mudança neste planeta do que alguém poderia alguma vez imaginar.


Trecho do Merabh em forma de história do shoud 2 da Série Paixão 2020

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