O Mestre e a Sala de Aula - O que está faltando em sua vida?

Toda história deveria ser interativa. É, toda história. A história de vida de vocês não é interativa, na verdade. Digo, é quase o que chamam de monólogo, onde só há um personagem, e não tem muita interação com todos os outros aspectos potenciais.

Então, enquanto contamos esta história, quero que vocês percebam que é hora de tornar a história de vocês interativa. Divirtam-se com ela. Não faço ideia da linha que a história vai seguir, além da abertura. Tenham um ponto de partida. Vejam a direção em que ela segue. Façam uma abertura e observem pra onde ela vai, enquanto contamos a próxima história, que se chama O Mestre e a Sala de Aula. Então, com licença. [Adamus vai para o fundo da sala.]


O Mestre e a Sala de Aula. Vou fazer o papel do Mestre, é claro. Alguém tinha dúvida? Tem alguém que queira esse papel? Obrigado. Então, eu vou fazer. [Algumas risadas]

O Mestre entrou na sala, mas, nesse dia, ele estava mais decidido do que nunca. Geralmente, o Mestre andava quase que flutuando, mas hoje ele se movimentava de maneira muito deliberada. O Mestre olhou para todos os estudantes reunidos na sala de aula. O Mestre pensou: “Hoje, vamos começar a trabalhar. Hoje, vamos além do discurso superficial, de todo o makyo. Hoje, vamos partir para a prática, o próximo passo real para cada um dos meus estudantes.”

Eles estavam quietos. Sentiram algo diferente na aparência do Mestre e nos movimentos do Mestre. Normalmente, eles gostavam da sensação quando o Mestre entrava na sala, inundando-a de paz. Eles sabiam que, de um jeito ou de outro, o Mestre tinha enorme compaixão por eles e a circunstância na sala de aula sempre se configurava num momento de aprendizagem e sabedoria. Mas, hoje, era diferente. Alguns poucos estudantes se perguntavam: “Oh! Será que o Mestre está aborrecido com alguma coisa? Será que ele teve um encontro ruim ontem à noite?” [Algumas risadas] O Mestre nunca teve um encontro ruim. [Mais risadas]

O Mestre ficou parado na frente da turma com seu... [Ele pega uma mãozinha de brinquedo que faz um barulhinho engraçado; risadas] A coisa riu. O Mestre ficou de pé na frente da sala e, com seu olhar mais severo, olhou fixamente para os estudantes. Os estudantes estremeceram: “Será que o Mestre está de ressaca hoje?” O Mestre nunca fica de ressaca, não importa o quanto beba. Por quê? Porque nada tira o Mestre do equilíbrio. Então, não, não era isso. Mas havia uma intensidade no Mestre hoje, um desejo. O Mestre olhou para a turma, quase com desdém, com desgosto, e apontou para o primeiro estudante e disse – Linda, ache alguém agora pra fazer o papel do primeiro estudante –, olhou pra ele e disse: “O que está faltando na sua vida?” O que está faltando na sua vida?

DONNA: Mais testes.

ADAMUS: Mais testes.

DONNA: Me dê mais testes. Eu quero mais testes.

ADAMUS: Você quer mais testes na sua vida?

DONNA: Mais testes na minha vida.

ADAMUS: Você pode sair da minha sala. [Algumas risadas enquanto ela se levanta pra sair, e Adamus sussurra.] Tá, tudo bem, volte. Você pode sair da minha sala se for pra dar respostas como essa! Depois de estar aqui, nesta escola, por quanto tempo? Duas semanas? E quer mais testes?! É pra isso que estamos aqui?! É pra isso que você está pagando uma fortuna pra frequentar minha escola? É pra isso que está ocupando uma cadeira que poderia ser entregue a alguém que realmente queira aprender?

Parecia que o Mestre ia cuspir, mas não cuspiu. [Risadas] Ele não cuspiu, mas queria cuspir. E apontou para o próximo estudante...

LINDA: O Caraca.

ADAMUS: ... e disse: “O que está faltando, Caraca? O que está faltando? Você está aqui há muitos anos. É. Você está na classe corretiva.” [Adamus gargalha.]

CARACA (Marty): Me desculpe!

ADAMUS: O que está faltando?!

CARACA: Estou muito distraído.

ADAMUS: Pode se levantar! Levante-se ao falar com o Mestre.

CARACA: Estou muito distraído hoje, Mestre.

ADAMUS: Distraído como?

CARACA: Estou cheio de gases.

ADAMUS: Molhou as calças de novo?

CARACA: Não, estou cheio de gases hoje, e... Me desculpe. [Risadas]

ADAMUS: Cheio de gases!

CARACA: Me desculpe.

ADAMUS: O que você comeu, Caraca?

CARACA: Tudo.

ADAMUS: Tudo! [Adamus ri.] Tudo, Caraca?

CARACA: É, o prato também.

ADAMUS: Ah, o prato também. Não é pra menos que esteja com gases. O que está faltando, Caraca? O que está faltando na sua vida? Você vem pra cá pra estas aulas, você sai pra pescar comigo, mas o que está faltando?

CARACA: Uma cola.

ADAMUS: Uma cola. [Algumas risadas] O que você vai pôr na cola?

CARACA: Todas as respostas.

ADAMUS: Todas as respostas! Na cola. Onde elas estão, Caraca?

CARACA: Acho que escrevi no meu pulso, mas lavei de manhã. [Algumas risadas]

ADAMUS: “Uma cola”, diz ele. Você também pode sair da sala. Você está consumindo um ar valioso e ocupando um espaço valioso. Ele quer uma cola, e não percebe que a cola já está dentro... É, oh, oh. Todo mundo, um, dois, três...

ADAMUS E PLATEIA: Ohhhhhh! Ohhhhh! Oh! [Caraca está andando para o fundo da sala.]

ADAMUS: Não percebe que a cola já está dentro de você e são duas palavras simples, Caraca. Duas palavras simples. Quais são elas?

CARACA: Eu peidei? [Muitas risadas]

LINDA: Está vendo? É contagioso!

ADAMUS: Por favor, saia daqui! Ah, minha nossa! [Mais risadas] Duas palavras simples! Woo! Woo!

Duas palavras simples compõem a cola. Duas palavras simples. Quais são elas, turma? [A plateia grita: “Eu Sou.” E alguém diz: “Eu Existo.”] Nem isso eles sabem direito. Permitir e e. Precisamos escrever no quadro? Não temos um quadro. Tudo bem. Não escreveremos. Conseguem lembrar? Este lado da sala: “Permitir.” [Este lado diz: “Permitir.”] Este lado da sala: “E.” [O outro lado diz: “E.”] Agora, se juntarmos tudo, temos...

PLATEIA: Permitir, e.

ADAMUS: E. É isso. Essa é a cola. Vocês ficam no fundo da sala. Você está fedendo. Certo. [Mais risadas]

Seguindo. E o Mestre estava muito aborrecido nessa altura. Depois de tudo que foi ensinado, depois de todos os livros, depois de aulas, depois de fazer merabhs muito agradáveis, doces merabhs, eles ainda não captaram isso. Podem imaginar o nível de ansiedade do Mestre, quando apontou para o próximo estudante? Ele perguntou: “O que está faltando na sua vida?”

[Pausa ligeira, e Adamus boceja.] Ah, vou tomar um café aqui. O que está faltando na sua vida?

OLGA: Nada.

ADAMUS: Nada. Bem, se nada está faltando na sua vida, por que você está aqui?

OLGA: Por curiosidade.

ADAMUS: Curiosidade. Você está curiosa com relação a mim?

OLGA: A você, também.

ADAMUS: Ou está curiosa com relação a eles?

OLGA: E a eles, também.

ADAMUS: Então você está dizendo que está aqui... Não tem nada faltando na sua vida, mas você está aqui... e só está curiosa. Curiosa com relação ao quê? O que você descobriu?

OLGA: Tá, provavelmente, minha memória esteja falhando.

ADAMUS: Provavelmente, sua mente está falhando?

OLGA: Não. Minha memória, memória, memória.

ADAMUS: Sua memória.

OLGA: Isso.

ADAMUS: Bem, mente, memória, tudo a mesma coisa.

OLGA: Ha-ham.

ADAMUS: Sei. Provavelmente, sua memória está falhando. Então, você não se lembra qual é o alvo da sua curiosidade.

OLGA: [rindo] Não, isso eu me lembro.

ADAMUS: E você está curiosa com relação ao quê?

OLGA: Estou curiosa com relação...

ADAMUS: O que você espera aprender aqui na nossa aula espiritual?

OLGA: Bem, primeiro, eu adoro a energia.

ADAMUS: Você adora a energia.

OLGA: Ha-ham.

ADAMUS: Oh! Você vem se aproveitar da energia.

OLGA: Sim, é, eu venho. Isso.

ADAMUS: Ohhh! Ohh! Oh! [A plateia também faz “ohh!”.] “Então, vou ser direto agora. Estou começando a entender”, disse o Mestre. “Você se matriculou nesta escola não porque tem algo que queira aprender, não porque esteja na jornada em direção à iluminação encarnada, como estão todos estes estudantes que trabalham duro, que pagam em dinheiro. Você está aqui como vampira de energia, pra roubar a energia deles, se sentar na sala de aula e, enquanto eles se abrem num espaço seguro, enquanto eles estão vulneráveis, você rouba a energia deles.” Isso é verdade?

OLGA: Não.

ADAMUS: Me pareceu isso. [Algumas risadas] Mas o Mestre insistiu que é verdade e deu a ela uma chance, perguntando novamente: “O que está faltando em sua vida?”

OLGA: Permitir, é claro.

ADAMUS: Permitir.

OLGA: Eu me vejo sendo livre e permitindo tudo.

ADAMUS: Certo.

OLGA: Mas, de algum modo, eu não consigo sentir isso.

ADAMUS: Eh-errrr! Vamos parar um instante.

OLGA: Tudo bem.

ADAMUS: Vamos parar.

OLGA: Por favor.

ADAMUS: Qual é a diferença entre estarmos representando uma história aqui e estarmos na sua história? A diferença entre atuar, representar, deixar rolar...? Mas, de repente, você está entrando na sua história.

OLGA: Sei, tá.

ADAMUS: Ah, certo. Saia da sua história. Saia da sua história, porque... está vendo como é fácil se prender à sua história?

OLGA: Ha-ham.

ADAMUS: Mesmo quando estamos apenas contando histórias e nos divertindo. Bem, é divertido pra mim. Então, voltando para a história. Represente. Estamos na sala de aula com o Mestre e o Mestre diz, de maneira teatral: “E o que está faltando em sua vida?!” E você diz, de maneira teatral, você diz...

OLGA: Hum. [Alguém diz: “Sexo.”]

ADAMUS: Sexo! [Risadas] Ela disse... Ótimo. Obrigado.

OLGA: Está certo, eu falei!

ADAMUS: Obrigado. Ela disse “sexo”. Ela não achou que tinha dito, mas todo mundo ouviu. Eu ouvi. Você ouviu? Ela disse “sexo”.

OLGA: Posso falar de novo? Posso falar de novo? Pergunte novamente.

ADAMUS: Tá. [Mais risadas] O que está faltando na sua vida?

OLGA: [em voz alta] Sexo! [Muitas risadas]

ADAMUS: E o Mestre diz: “Quando foi a última vez que você teve...?”

LINDA: Não responda! [Mais risadas]

ADAMUS: “... um bom orgasmo sonoro?”

LINDA: Aghhh!! 

OLGA: Eu não me lembro.

ADAMUS: Ohhhh!

LINDA: Ohhhh!

ADAMUS: E o Mestre diz: “Você quer ter um?” [Risadas]

OLGA: Sim!

ADAMUS: O quanto você quer?

LINDA: Ahhhhhh!

CARACA: Isto é um programa familiar! [Mais risadas]

OLGA: Muito.

ADAMUS: Pare com isso, seu peidorreiro! [Mais risadas] O quanto você quer um?

OLGA: Muito.

ADAMUS: Muito. Então, vou sugerir uma coisa. Depois que acabarmos nossa aula de hoje, vá para o seu quarto e tranque a porta. [Algumas risadas] Tome um banho de banheira quente e, por uma vez, toque-se... [O brinquedo da risadinha é ouvido; muitas risadas da plateia] Toque-se como se quisesse ser tocada pelo maior amante da Terra. Toque-se com total amor e compaixão por seu corpo. Toque-se como se você fosse seu maior amante, porque você é. Toque-se e não sinta vergonha de se colocar nessa união maior de corpo, mente e espírito que um humano pode vivenciar, mais do que qualquer ser em toda a criação pode vivenciar. Porque, quando um humano se ama não há culpa nem vergonha. Quando um humano se ama dessa forma, ele se equipara com a alma, ele simula a alma, porque em cada momento a alma está se apaixonando por ela mesma. Ótimo.

Próximo e último desta história, antes de passarmos para nossa próxima história. Estamos na sala de aula. O Mestre, ainda conservando aquele olhar azedo, procura o próximo estudante que está com o microfone e diz: “O que está faltando na sua vida?” [Algumas risadas quando o “estudante” se surpreende com o microfone.] E o estudante pensa: “Por que o Mestre sempre implica comigo?” O que está faltando na sua vida? [Alguém diz: “Ansiedade!”] Gostei. Foi boa. O que está faltando na sua vida?

MULHER SHAUMBRA 4: Hum...

EDITH: Diga a ele que são as pessoas que ele mandou pro banheiro. [A mulher ri.]

ADAMUS: Quer ser a próxima?

EDITH: Não, eu não vou...

MULHER SHAUMBRA 4: Na verdade, eles estão bem ali atrás, eu estou vendo. [Ela se refere a Donna e Caraca.] É.

ADAMUS: Isto é só uma história. Estamos só representando. Certo. O que está faltando na sua vida? Fale em voz alta! Fale! Eu não tenho muito tempo. A aula termina em três minutos.

MULHER SHAUMBRA 4: Tá!

ADAMUS: O que está falando na sua vida?

MULHER SHAUMBRA 4: Me desculpe.

ADAMUS: Nunca se desculpe.

MULHER SHAUMBRA 4: Humm. Deviam fazer um filme ou uma música!

ADAMUS: Uma música.

MULHER SHAUMBRA 4: Não...

ADAMUS: Uma música. É. O Mestre agora está ficando impaciente.

MULHER SHAUMBRA 4: Está bem.

ADAMUS: O que está faltando na sua vida?

MULHER SHAUMBRA 4: Talvez... [Adamus finge que está roncando.] ... confiar em mim mesma.

ADAMUS: Confiar em si mesma. Onde você encontra isso?

MULHER SHAUMBRA 4: Em mim mesma.

ADAMUS: É, mas, digo, como você obtém confiança em si mesma?

MULHER SHAUMBRA 4: Eu não sei. Eu tenho me perguntado... Oh! [A plateia faz “ohhhh!”.]

ADAMUS: Ohhhh! Erhhhhh! Erh! Erh! Erhh! Temos um lema por aqui. Pode dizer o que quiser, exceto “eu não sei”. Então, com isso, por favor, devolva o microfone para a adorável senhora à frente e sente-se lá atrás com o peidorrento.

MULHER SHAUMBRA 4: Ah, tudo bem.

ADAMUS: É.

LINDA: O quê?!

ADAMUS: Gente, avacalhamos com tudo. O Mestre está realmente irritado agora.

LINDA: Quem você chamaria?

ADAMUS: Encerramos.

LINDA: Oh.

ADAMUS: O Mestre está realmente irritado agora. Depois de todos estes anos ensinando, depois de todas as horas e mais horas que passou com os estudantes, e eles ainda dizem coisas como “não sei” ou “estou cheio de gases”. [Risadas] Vocês podem imaginar o Mestre, pensando com seus botões, sentado diante da turma agora, faltando três minutos pra acabar a aula... ele pensa: “Talvez eu vá parar de ensinar. Talvez não valha a pena. Talvez eles realmente não queiram isso, porque, por mais longe que tenhamos ido, não sei se chegamos a lugar algum.” O Mestre sentiu aquele momento fugaz de querer sair sozinho pra pescar. É, ele adorava pescar e, como sabem, o Mestre podia apenas lançar o anzol na água, sem nada na linha, que um peixe começaria a morder de imediato. O peixe, na verdade, fica tentando pular pra dentro do barco do Mestre, mas ele não tem permissão e diz: “Vou ao menos fingir que estamos nos divertindo aqui.” Ele sempre devolve o peixe pra água, depois. E o Mestre, enfim, disse aos estudantes, faltando dois minutos pra terminar a aula: “O que está faltando na vida de vocês é viver.

“Vocês não estão vivendo. Vocês estão pensando. Vocês ficam voltando para as velhas memórias. Quando foi a última vez que fizeram sexo? A resposta deveria ser: ‘Antes de vir pra aula, hoje de manhã.’ Isso é viver! Viver é quando vocês dizem: ‘Mestre, o jantar foi ótimo ontem. Foi incrível, e eu me sinto muito bem, porque estou vivendo integralmente.’ Não isto: ‘Estou peidando hoje.’ Porque isso indica que vocês não estão realmente vivendo, que alguma coisa está fora de equilíbrio.

“Cada um de vocês, aqui, na sala de aula, hoje, está esquecendo de viver. Vocês se colocaram nesse espaço neutro de energia, cinzento, chato. Vocês estão tão imersos em suas histórias tolas que se esquecem de viver. Vocês têm medo de viver. Vocês têm medo de fazer sexo a ponto de sentir um orgasmo grandioso. Vocês têm medo de comer. Vocês têm medo de sair e caminhar em público. Vocês têm medo de se divertir. Vocês se esforçam demais. É isso que está faltando na vida de cada um de vocês. Quero que saiam esta tarde, seja pra jogar boliche, andar de skate ou comprar pra si algo que jamais pensaram em comprar. Quero que vão ao cinema e comam um pacotão de pipoca. Seja o que for, é hora de viver. É hora de levantar seu traseiro morto e ir viver. E não voltem pra esta sala de aula até que estejam vivendo.” [A plateia vibra e aplaude.] Fim da história.


(História contada por Adamus no Shoud Transumano 4)

Postagens mais visitadas deste blog

Canalizações Especiais

Série da Paixão 2020