O Mestre e o estudante Henry - Reconhecimento

(...) O novo estudante, que frequenta a Escola de Mistérios há apenas alguns meses, enfim, teria um encontro com o Mestre. O novo estudante ouvira histórias sobre como era estar diante do Mestre, repleto de ansiedade, mas também empolgação, sabendo que, quando esse encontro com o Mestre acontecia, significava que o estudante tinha alcançado determinado nível de iluminação, de sucesso, pode-se dizer.

Assim, esse dia chegou para o novo estudante chamado Henry – Henry Smith –, um jovem comprometido com a espiritualidade e a iluminação, mas, de certa forma, muito inocente, muito ingênuo. Então, era a hora de Henry se aproximar do Mestre. O Mestre, é claro, estava sentado em sua cadeira tomando seu café. [Risadas quando Adamus faz uma careta porque ainda não levaram seu café.]

E Henry aproximou-se do Mestre, um pouco nervoso, é claro, mas acima de tudo animado, porque, bem, seria como receber um boletim de quando se está na escola. Receber uma avaliação, ter uma entrevista com o Mestre. [Linda traz o café, mas para antes de chegar nele.]

Aproxime-se. [Linda leva o café e faz uma reverência; muitas risadas da plateia e alguns aplausos; ele dá um gole no café.] Está bom. Está bom.

Então... [rindo] Henry aproximou-se do Mestre, que agora estava bebendo seu café na cadeira, e Henry lhe disse: “Mestre, como estou me saindo? Já se passaram uns meses e estou trabalhando muito, me esforçando, sendo muito aplicado com tudo por aqui nesta Escola de Mistérios. Mestre, como estou me saindo?”

E o Mestre recostou-se na cadeira, com seu jeito cheio de mestria, de olhos fechados, e disse: “Estudante” – pois um Mestre nunca se dirige ao estudante pelo nome verdadeiro – “Estudante, não cabe a mim avaliar nem julgar.”

É claro, Henry ficou um pouco desapontado, porque realmente queria uma avaliação do Mestre. Daí, Henry respirou fundo, buscou energia, pensou de um modo novo a respeito disso e disse: “Mestre, Mestre, talvez pudesse perguntar aos meus guias espirituais como estou me saindo.”

E o Mestre respirou fundo, rangeu os dentes e disse: “Estudante, você não tem guias espirituais. [Algumas risadas] Você tinha guias espirituais e eles estiveram com você por muitas, muitas e muitas existências. Mas, Estudante, eles se encheram e partiram.” Achei isto engraçado! [Risadas] Talvez meu livro não se torne um best-seller. [Mais risadas]

Agora, Henry ficou muito desmotivado e bastante desapontado, mas era determinado, como todos os estudantes são. Todos os estudantes são muito determinados, mas, às vezes, tão ingênuos que não entendem isso. Assim, Henry se recompôs novamente, respirou fundo e disse: “Ah, Mestre, como os arcanjos acham que estou me saindo?” [Algumas risadas]

E o Mestre ficou sentado de olhos fechados por um bom tempo, balançando um pouco a cabeça, até que respirou fundo e disse: “Estudante, os arcanjos estão todos ocupados, porque muitos humanos estão canalizando arcanjos ultimamente. [Risadas] Exceto Rafael. Não sabemos por que ninguém quer canalizar Rafael.”

(...)

Agora, Henry estava muito, muito desapontado, desmotivado, perturbado. Sentiu que fazia parte de um jogo. Mas o estudante era muito determinado, muito obstinado de certa forma, e respirou bem fundo e disse a si mesmo: “Isso é só um jogo que o Mestre está jogando comigo. Ele está tentando ver o quanto sou determinado. Vou tentar de novo.” E o estudante disse: “Mestre, como Deus acha que estou me saindo? Poderia verificar junto a Deus?”

O Mestre respirou fundo e disse: “Só um instante.” E entrou numa espécie de estado de transe. E, após alguns minutos, voltou e disse: “Qual é mesmo o seu nome?” [Algumas risadas] E o estudante disse: “É Henry. Sou eu, Henry.” O Mestre disse: “Me dê um minuto.”

E o Mestre, encenando, é claro, esperou um pouco, abriu os olhos, olhando diretamente para o estudante, e disse: “Deus não sabe que você existe.” [Faz-se um silêncio na sala, então Adamus mexe a boca, sem emitir som: “Foi engraçado.” Alguns riem.]

O estudante vai embora desmotivado, angustiado, perturbado. Na manhã seguinte, faz as malas e deixa a Escola de Mistérios. No momento, ele conduz um ashram, onde trabalham a voz e a conexão com o Espírito, é claro. [Algumas risadas]

Logo após esse encontro com o estudante, o Mestre foi ao Clube dos Mestres Encarnados e os outros Mestres perguntaram: “Então, como foi com Henry, o estudante?” E o Mestre disse: “Não muito bem, pelo menos não por enquanto. Nada bem. O estudante ainda não faz ideia de um dos preceitos mais básicos da iluminação.”

E um dos Mestres diz: “Bem, como assim? O que quer dizer com isso?” E o Mestre sênior muito sábio disse aos outros: “Porque, quando alguém não se reconhece, o Espírito também não o reconhece.”

Esse é o maior presente de compaixão que o Espírito pode oferecer. Hummm. Hummm. Hummm.

Quando vocês não reconhecem a própria existência, quando vocês contam com outros pra avaliar, medir, saber se estão fazendo certo ou errado, quando não se veem com os próprios olhos nem se ouvem com os próprios ouvidos, o Espírito também não os reconhece. O Espírito não sabe que vocês existem até o momento em que vocês sabem que vocês existem, vejam bem.


Assim, esse é um dos capítulos do Memórias de um Mestre – histórias mais ou menos verdadeiras, levemente baseadas nas minhas experiências com os Shaumbra.


ADAMUS: Não são histórias que, necessariamente, farão as pessoas vibrarem e aplaudirem enquanto são contadas. Mas, o que eu quero com elas é obter um “Hummmm. Hummmm, agora eu entendi.”


(História contada por Adamus no Shoud Descoberta 11 )



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